Ressaca Websummit Rio
Websummit Rio, Single Summit e um evento feito de encontros
Depois de uma semana intensa, com direito a 4 dias de evento, 12 Happy Hours e muitos encontros, o evento chega ao fim, e quem fica no Rio se encontra numa ressaca de saudade dos dias que foram vividos.
O evento contou com 21, 367 mil pessoas e 40% desse público eram mulheres e 974 startups dos mais diversos países da América Latina.
Ao todo, estive em mais de sete grupos do evento, contando com os oficiais e não oficiais. Consegui conhecer muitas pessoas e me conectar com o ecossistema não apenas carioca, mas também do Brasil. Conversei com uma média de 15 a 20 startups por dia, passeando pelas mais diferentes indústrias, como healthtech e martech, entre outras.
Assumo que, apesar de ter encontrado muitas startups, encontrei diversas em estágio inicial, sem MVP rodado e, muitas vezes, com um founder ainda sem saber o que fazer com a ideia criada.
Isso é um padrão que vemos também no evento raiz em Lisboa. Entendemos que muitas delas poderiam e até mesmo deveriam estar em estágio early stage, mas muitas ainda estavam em estado de ideação, ou seja, apenas uma ideia e ainda não uma disrupção tecnológica.
Por isso, desta vez, foquei muito em encontrar padrões tecnológicos nas startups alphas, conhecer melhor as startups betas e interagir melhor com as selecionadas de growth.
O foco do evento foi claramente a inteligência artificial regenerativa. E as startups não poderiam ficar para trás. O padrão encontrado foi que o uso de AI para qualquer coisa é agora considerado normal. A inteligência artificial não é mais uma tecnologia que destruirá segmentos e indústrias, mas sim a forma como a mesma tecnologia será utilizada. Pude observar que a grande maioria das startups usa APIs do ChatGPT 4, o que nos leva a questionar algumas situações. Em primeiro lugar, há a necessidade de um CTO in-house para melhorar essa API. Em segundo lugar, há a dependência direta da OpenAI, o que nos leva a um terceiro problema: se a empresa acabar com o open source dessa API, a startup sobreviverá?
Single Summit e a Interação Artificial
Com certeza, algo que foi discutido nas rodas de conversa do Websummit Rio foi a criação de um grupo de solteiros à procura de um amorzinho. Assumo que fiquei feliz que a idealizadora da ideia - Vanessa Mathias - tenha aceitado a minha proposta de um vinho em minha casa. Como uma das pessoas que faz parte do grupo, estou feliz em saber que ele gerou muitos encontros e casais.
No entanto, o que me preocupa é a interação artificial. Não basta termos vários aplicativos de relacionamentos que geram conexões valiosas se o nosso foco ainda está em uma tela de celular. No SXSW deste ano, Esther Perel discutiu a "intimidade artificial" que tanto permeia nossas vidas - o estar presente sem estar presente. Pergunto-me quantas vezes estive com alguém, mas não prestei atenção no que ela/ele estava dizendo. Será que estamos perdendo nosso tempo de qualidade ficando na frente de telas? Isso é real; percebemos isso em crianças que usam cada vez mais telas em uma idade mais jovem e perdem a criatividade cedo. No entanto, em contrapartida, a tecnologia facilitou muito nossas vidas para chegar a ambientes que nunca imaginaríamos.
Assim como no Websummit, voltando ao grupo, além do próprio aplicativo do evento, contamos com pelo menos uns 10 grupos paralelos, entre eles o Single Summit, que foi focado em conhecer pessoas para simplesmente ter um relacionamento. Estive no grupo desde o dia 1 de maio, a data da criação, e pude ver que a interação com o grupo só aumentou. Foram marcados encontros com a galera em boates, até encontros em bares, gerando não apenas negócios, mas também encontros românticos. Ao mesmo tempo que a tecnologia pode nos afastar de pessoas próximas e nos tirar de situações, ela pode também gerar negócios e encontros descontraídos.
Conversando com as pessoas, pude perceber que mesmo com a criação de um drive de pregação, o grupo em si foi muito além do esperado, como relatou um consultor que conversei.
No inicio, o pessoal ficou meio com receio de se integrar, achando que seria depravação geral, mas eu sou muito tranquilo em relação a isso e na questão do respeito, e o que falo para você e falei para o pessoal, para você "pegar" alguém você precisa conhecer, a partir dai, pode virar um networking, uma ficada ou até mesmo um namoro.As conexões que foram feitas por esse grupo, geraram laços muito mais fortes, tenho reuniões marcadas essa semana que foram geradas pela interação no grupo
As pessoas do grupo ainda me relataram anonimamente os placares, dando um apelido amigável de CarnaSummit ao WebSummit. Uma das pessoas teve o placar de 11 bocas beijadas que conheceu no evento. A média foi de duas, e houve relato até de homem casado dando uma escapulida dentro do grupo. Assim como foram relatados conteúdos felizes e saldos positivos, também vimos em um microcosmo muito preconceito, não apenas com mulheres, mas também vivenciamos um etarismo real. Uma pessoa veio me relatar que houve críticas na escolha do lugar, e que as pessoas que tinham uma certa idade para cima eram constantemente zoadas pelos jovens, falando que deveriam ficar em casa ou não ir para boates barulhentas. Isso mostra como o nosso cenário de inovação se encontra hoje.
Com isso, encerro a newsletter de hoje, esperando que o nosso mercado de inovação entenda que pessoas de 30+ ainda são inovadoras e que há espaço para mulheres no mercado. Desejo a todos que fazem parte do grupo uma interação real e não artificial e que esses contatinhos se tornem trabalhos e projetos para o futuro. Fica aqui meu desejo e desfecho.
Beijos imensos e até segunda que vem.



Muito bom, Fernanda!
Adorei saber desse "outro lado" do Summit hahaha
Continue com a news, você escreve muito bem e, se precisar de ajuda, pode avisar! 🤗